Seriam os felizes ignorantes?

 

Quem me dera conseguir desfrutar as tais pequenas alegrias cotidianas do povo brasileiro. Como limpar o nome que ficou sujo no SERASA por causa do irmão que pediu para fiar o aluguel, por exemplo. Ou comprar TV 29 polegadas (em 6666 vezes, com entrada de R$1,99 e juros a perder de vista) para se deleitar com o humor refinado do Zorra Total. Depois vibrar com aquele discurso em que o presidente garante que os escândalos no governo não passam de conspiração, só porque ele é gente como a gente. E saber que em breve a rede de esgoto chegará até a rua onde a gente mora. E comemorar o fato de que o assaltante no ônibus preferiu a bolsa da moça que estava sendo encochada e deixou a carteira da gente em paz. E fazer todo o trabalho nas coxas sem que o chefe perceba. E ter carteira assinada, com salário isento de imposto de renda. E tomar cachaça tatuzinho no bar da esquina com os amigos depois do serviço. E ser finalmente atendido depois de 3 horas esperando na fila do SUS. E fazer uma fezinha na loteria. E pagar o dízimo em dia, garantindo uma poltrona de primeira fila no céu. E comer mexerica no ônibus São Paulo – Manaus, sem correr risco nos aviões. E ver a filha de 15 anos passar por média para a quinta série e ainda de quebra parir o primeiro neto. E torcer pelo time do coração tomando cerveja aos domingos. E sonhar que um dia o filho desdentado estará entre os escalados para a seleção. E assistir aquele filme de ação (versão brasileira Marshmallow), que estrela Chuck Norris como o assassino Drake Moustache. E finalmente dormir o sono dos justos.

 

Mas dormir o sono dos justos é só para aqueles de sorte. Sorte de aceitar tudo o que é imposto sem questionar, duvidar ou tirar a prova. Sorte de conseguir comprar todas as meias palavras junto ao crediário com desconto em folha. Sorte de ser ignorante o suficiente para ser feliz. Ah! Quem me dera conseguir dormir esse tal sono dos justos. Quem me dera, aliás, achar que o mundo é justo, os políticos não usam laranjas para atividades ilícitas, as pessoas não comem mexerica em ônibus, as promessas de crescimento são cumpridas, a propina é uma lenda, os brasileiros lutam pelo que é seu por direito, a violência diminui, a educação pública tem qualidade, as cidades tem saneamento básico, os irmãos de governadores não assumem cargos no estado, os bêbados não causam acidentes de trânsito, os passageiros de avião não morrem vítimas de incompetência generalizada, as igrejas tratam seu “rebanho” como seres humanos, o sistema de saúde salva mais do que mata, as redes de televisão aberta investem em programação decente e o Coelhinho da Páscoa joga pôquer toda terça com o Papai Noel.

 

Vamos celebrar a estupidez humana, já cantava Renato Russo. Uma salva de palmas então a todos àqueles sortudos que dormem o sono dos justos. Uma salva de palmas à mediocridade, à imbecilidade, à miopia generalizada. Uma salva de palmas às pequenas alegrias desse nosso povo. Uma salva de palmas aos brasileiros, esses macacos de auditório, ratos de laboratório, controlados por ratos de esgoto (esgoto que, segundo consta, um dia ainda chega até a casa da gente).



Escrito por Halina Silva às 10h39
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XO CHATO

 

Chato é genético. Chato é resultado daquele espermatozóide que só chegou primeiro porque todos os outros companheiros se encheram o saco dele e preferiram se afogar na privada. Chato é sinestésico. Chato encosta no teu braço pelo menos uma vez por frase (chata). Você pode até se afastar, mas é melhor nem tentar, porque ele sempre vem junto. Capaz de você completar uma maratona andando de trás para frente antes que ele termine de contar como foi seu dia. Chato cutuca. Em casos mais graves cutuca de um lado e aparece do outro. Em casos terminais cutuca de um lado e aparece do outro abanando as mãos, como se fosse possível ignorá-lo. Chato fala pau-sa-da-men-te e sempre se repete. Sempre se repete. Chato é persistente. Nada é mais persistente que um chato. Se você não atende o celular ele deixa mensagem. Se não responde a mensagem ele liga em casa. Se pede para dizerem que está no banho ele responde que não se importa em esperar. E espera uma eternidade se for preciso, só para descarregar aquela chatice toda em cima de você. E se por acaso não consegue falar pelo telefone ele dá um jeito de te encontrar. Só que aí é ainda pior porque ele faz visita num domingo de manhã (manhã de chato é 7 da manhã).

  

Segundo Guilherme Figueiredo, em "Tratado Geral dos Chatos", chato é um indivíduo, ser, coisa ou evento, cuja presença, existência, atitude, ação ou lembrança, continuadamente, têm a capacidade de inspirar sentimentos contrários à alegria de viver, à paz de espírito e à paz mundial. Concordo plenamente. Chatos podem acabar com seu humor, seu dia, sua semana, seu ano, sua vida inteira. Parece exagero, mas levante a mão quem nunca conheceu e sofreu nas mãos de um chato (se levantou é porque é um).

 

O pior de tudo é que chato provoca doenças. E não estou falando daqueles piolhos que pegam em pentelhos, mas desse chato que está te ligando agora mesmo. Fique atento. Você se sente arrasado, sem vontade de fazer nada ou falar com ninguém? Sua barriga dói, sua cabeça lateja, seus pés formigam? Procure um médico. Se ele te olhar com condolência, nem perca tempo perguntando se é câncer. Infelizmente, é algo mais sério. Você sofre do efeito chato, uma doença sem tratamento ou cirurgia e aparentemente sem cura (como já falei, nada é mais persistente que um chato). E vá se preparando. Se for um caso típico do distúrbio, quando você chegar em casa o chato estará lá. Visita de médico, coisa de 6 ou 7 horinhas. Após um abraço interminável ele lhe estimará melhoras (usando para isso uma média de 38792516494 palavras). Por fim, lhe dará um livro que o ajudou muito a superar seus problemas e lhe trouxe uma infindável paz de espírito. Sim, é um livro de auto-ajuda. Sim, são dicas numeradas de felicidade. Não, nenhuma delas explica como se livrar de um chato.



Escrito por Halina Silva às 10h29
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Sem Comentários

 

Depois de mais de 5 anos de namoro (com exceção dos 8 breves intervalos em que Paulo Guilherme Bittencourt Dias Macedo estava testando outras, ou Maria Regina Amarantes de Castro estava na Europa espairecendo) aproxima-se a data da consagração de seu amor. Finalmente a união pura e sincera de PG e Gica (apelidos pelos quais são conhecidos) será abençoada por Deus (até que a morte ou a descoberta de 3 filhos bastardos e 2 amantes os separe) e eles mal podem se conter de alegria.

Faltam duas semanas para o grande dia. Gica e PG fazem seus respectivos chá-de-panela e despedida de solteiro. Gica preparou um lanche para 30 mulheres, entre mãe, amigas, tias, tias-avós, sogra e amigas da sogra. PG marcou uma suruba para 30 amigos em uma chácara afastada da cidade, onde ninguém além deles pudesse ver ou ouvir nada do que estava para acontecer. Gica fez sua lista de presentes numa loja de utensílios culinários. PG fez sua lista de presentes num site de acompanhantes executivos. Gica decorou o salão de festas com balõezinhos em forma de coração. PG decorou a casa da chácara com prostitutas vestindo  tangas vermelhas comestíveis em formato de coração. No chá-de-panela são servidos refrigerantes, chá e café. Na despedida de solteiro são servidos uísque, vodka e cerveja. As convidadas de Gica preparam uma série de brincadeiras humilhantes, prevendo as situações pelas quais a garota passará dentro do casamento. Os convidados de PG preparam uma série de brincadeiras sexuais, prevendo as situações pelas qual o garoto passará fora do casamento. Uma das tarefas que Gica cumpre é destroçar um frango, provando suas habilidades na cozinha. Uma das posições sexuais que PG pratica é a do frango assado, provando suas habilidades em camas alheias. Gica precisa adivinhar o que são os presentes tateando-os de olhos vendados. PG precisa adivinhar quem são as presentes tateando-as de olhos vendados. Gica sente a pressão de se tornar uma verdadeira esposa. PG sente a alegria de se tornar um verdadeiro garanhão. Gica sai da festa insegura e toda manchada de batom. PG sai da festa bêbado e todo manchado de batom. E em forma de protesto, acabo o texto por aqui!



Escrito por Halina Silva às 18h27
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Mas cadê você que não te encontro?

 

Eis que pela manhã de domingo (leia-se duas e meia da tarde, depois de uma noite bem aproveitada a base de suco de pão) chega a minha casa uma de minhas mais queridas amigas (acompanhada, como sempre, de seu noivo) trazendo em mãos o convite de seu tão aguardado casamento. Ainda meio desnorteada devido ao efeito madrugador, arrasto-me até a sala e cumprimento efusivamente o casal. Quanta alegria! Aproxima-se o momento em que ambos trocarão lindas alianças de ouro 385789 quilates e comprometerão de uma maneira definitiva (ou não) seu futuro. Mal podem esperar. Contam meses, semanas, dias, horas, minutos, segundos, milésimos e até aquelas outras frações de tempo (cujo nome ou não existe ou nunca aprendi) para o tão aguardado instante que selará para sempre (repetindo-me, ou não) seu lindo amor.

 

Em meio a todo esse clima romanticlichê, ela me convida para ser madrinha do casamento (não exatamente convida, já que eu havia deixado previamente claro que se não me chamasse para a função não seria mais sua amiga). Uau, que surpresa agradável! Mas aí veio a bomba: “Pois é, só tem um probleminha. Como não temos nenhum solteiro disponível para acompanhá-la até o altar, será que você poderia entrar com seu pai?” Foi nessa fração de tempo (cujo nome ou não existe ou nunca aprendi) que senti a enorme pressão de ser a única solteira remanescente do meu grupo de amigos (ou quiçá, sem exageros, da via-láctea). Entre pensamentos como “quem sabe entro com um daqueles bonecos de posto...”, “pena que acompanhantes executivos custem tão caro...” e “talvez o namorado daquele meu amigo não se importe em me emprestar seu parceiro para a ocasião...”, confesso que senti uma leve dose de tristeza. Nada que me abalasse muito ou chegasse a me inspirar para uma crônica, imagina, só uma pequena depressão. Por que será que é cada vez mais difícil encontrar um parceiro para nossas vidinhas medíocres? Costumava ser mais fácil. Bastava o garoto ter duas pernas, dois braços, uma cabeça (às vezes nem isso), um membro intermediário (em funcionamento) e proferir algumas palavras doces para se tornar o amor de nossas vidas. Mas aí viramos adultas, independentes, cheias capacidades, necessidades, prioridades e manias e a coisa fica impossível.

 

Fulano A não porque é muito burro. Fulano B não porque se acha o mente-capto. Fulano C não porque é muito possessivo. Fulano D não porque prefere o bar e os amigos à minha companhia. Fulano E não porque é muito grudento. Fulano F não porque tem uma família muito esquisita. Fulano G não porque é muito certinho. Fulano H não porque é muito alternativo. Fulano I não porque é muito quieto. Fulano J não porque não me deixa falar. Fulano K não porque é muito machista. Fulano L não porque aderiu ao feminismo e acha que temos que rachar até a moedinha para o guardador de carros. Fulano M não porque se irrita quando solto um palavrão (pum então, catástrofe). Fulano N não porque é ninfomaníaco. Fulano O não porque acha que o ser humano é uma espécie superior e não precisa de sexo. Fulano P não porque vem com pacote ex-mulher e filhos (ou pior: mulher e filhos, ou ainda pior: mulher grávida). Fulano Q não porque só pensa em trabalho. Fulano R não porque não tem ambição. Fulano S não porque é metrossexual, mais vaidoso do que eu. Fulano T não porque nem ao menos corta as unhas. Fulano U não porque mente. Fulano V não porque é tão sincero que magoa. Fulano X não porque assiste filme dublado e vibra com o Domingão do Faustão. E Fulano Z não porque, convenhamos, Fulano é um nome muito feio.

 

Não sei por que vendem tanto essa idéia de que cada pessoa tem uma alma-gêmea. Acabei de provar por A + B + C + todas as outras letras (sem contar que ainda nem comecei com o alfabeto grego, o árabe, o chinês ou o sânscrito) que a tal tampa da panela é impossível de encontrar. Mas como será que alguns conseguem? Serei eu, talvez, que estou sendo muito exigente? Ah, acha que sim? Pois saiba que acaba de se tornar o alfa da minha lista!

 

PS: Mostrei esse texto para meus pais. Após minuciosa leitura (e um pequeno descontentamento com a pessoa revoltada e desacreditada no amor em que me tornei), minha mãe me alertou para o fato de que eu esquecera de incluir a letra Y em minha lista de Fulanos. E justo o Y, que falha a minha. Justo a letra do cromossomo que define o sexo masculino, a letra que diferencia mulheres de homens, bonecas que andam e fazem xixi de carrinhos de controle remoto, balé de futebol, chapinha de meu chapa, convexo de côncavo, Vênus de Marte, Ana Maria Braga de Galvão Bueno! Seria essa a resposta para meus filosóficos questionamentos sobre a possibilidade ou não de se manter um relacionamento? Seria o Fulano Y minha cara-metade, meu príncipe encantado? Seria você, Yédisson? Mas cadê você que não te encontro?   



Escrito por Halina Silva às 19h29
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... E TUDO DE BOM!

Desculpem a falta de atualização do blog. Sabem como é... Final de ano, festa de confraternização na empresa, compra de presentes, filho em época de provas, felicitações de Natal, nunca sobra tempo. E aproveitando que já estou meio queimada com vocês e que estou falando em felicitações, manifesto aqui minha abominação por mensagens comemorativas massificadas, de qualquer natureza, material e feitio. Mas calma, antes de me acharem estúpida, deixem que explique. Não estou falando de mensagens pessoais realmente significativas, aquelas que você guarda para sempre na caixinha de bilhetes ou na pasta “recordações” do outlook express. Estou me referindo aos insuportáveis clichês comemorativos, virtuais ou impressos, que invariavelmente estampam pérolas dos genéricos festivos como “tudo de bom” e suas derivações.

 

“Tudo de bom”, o que isso quer dizer? Na melhor hipótese, algo como “não te conheço direito, não sei nada sobre suas conquistas, seus sonhos e desejos, não tenho interesse em fazer parte da sua vida e não sei o que te dizer nesse momento, mas não quero passar por mal educado”. Mas ainda tem pior: porta-retratos. Que aliás, são o presente preferido dos adeptos do “tudo de bom”, já perceberam? Você recebe aquele pacotinho quadradinho com o cartãozinho grudado. Arranca o cartãozinho, abre o envelope e lá está o infame “tudo de bom”. Aí antes mesmo de abrir o pacote você olha fundo nos olhos da pessoa que te presenteou e fala com voz doce:

- Lindo o porta-retratos, adorei.

- Mas como você adivinhou que é um porta-retratos?

- Ah, sei lá, intuição feminina talvez.

- Que bom que você gostou. É pra você eternizar este momento lindo da sua vida.

- Nossa! Que boa idéia, super original, amei. Mas não precisava se incomodar.

- Imagina querida, precisava sim. Você merece tudo de bom.

- Obrigada, você também.

 

“Tudo de bom” e porta-retratos são mais banais que aspirina. Todo mundo usa, para resolver qualquer tipo de problema. Mais ou menos assim: Natal? Tudo de Bom neste período de paz e um porta-retratos. Ano Novo? Tudo de bom neste recomeço e um porta-retratos. Aniversário? Tudo de bom em mais um ano da sua vida e um porta-retratos. Formatura? Tudo de bom na etapa profissional que agora inicia e um porta-retratos. Casamento? Tudo de bom para o casal e um porta-retratos. Batismo? Tudo de bom para o novo cristão e um porta-retratos. Dia dos Namorados? Tudo de bom para nós dois e um porta-retratos. Dia das Mães? Tudo de bom para a melhor mãe do mundo e um porta-retratos. Dia da Bandeira? Tudo de bom para o verde-amarelo e um porta-retratos. Dia do Profissional Dentista? Tudo de bom para nossa arcada dentária e um porta-retratos. E por aí vai... Melhor eu parar, eu sei. Então até a próxima e, óbvio, tudo de bom! ;)

 

OS: Este post é em homenagem à Janna, ao André e ao Douglas, provavelmente meus 3 únicos leitores hehehe...



Escrito por Halina Silva às 14h05
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E Viva os Espartilhos

 

Graças àquelas tias ousadas que aboliram os espartilhos, nós mulheres finalmente conquistamos nossa independência. Passamos a competir de igual para igual com os homens, não há nada que não possamos fazer. Dirigimos nossas próprias vidas, nosso dinheiro, nossos carros. Dirigimos equipes, negócios, grandes corporações e estados. Dirigimos até caminhões pesados e pilotamos aviões, quem diria. Nem o céu e limite para nós. E ainda voltamos para casa com pique para dirigir os tradicionais fogões, pias e tanques. E para dirigir a educação dos filhos. E para nos prepararmos, lindas, gostosas e cheirosas para nossos parceiros. E finalmente, para dirigir performances sexuais acrobáticas, que acabam somente no amanhecer, pouco antes de começarmos a dirigir tudo de novo.

 

Graças àquelas tias ousadas que aboliram os espartilhos, nós mulheres finalmente abandonamos nossa fragilidade, substituindo-a por força e agilidade. Sem essa afronta de homem abrindo porta de carro, mandando flores e cartões, pagando contas em restaurante, chamando de “meu amor”. Romantismo é coisa para as coitadas de nossas avós, aquelas que passavam o dia em casa dando atenção aos filhos, lendo, tocando piano, cozinhando e fazendo tricô, sendo obrigadas a deixar o sustento da família para os homens. Elas sim é que sofriam, que horror. Nós não. Nós somos feitas de aço, somos verdadeiras encarnações da Mulher Maravilha. Que por sinal, é sempre representada usando um espartilho, não?!?!



Escrito por Halina Silva às 22h12
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2010 - Halina Presidente

Opa, e não é que se passaram 4 meses desde meu último post? Bela propaganda enganosa essa minha, prometendo atualização semanal hein? Desculpem-me, caros e contáveis nos dedos leitores, prometo não prometer mais nada que não vá cumprir. E falando em promessas não cumpridas, propagandas enganosas e propagandistas amorais de candidatos enganadores que se fazem de enganados... É com orgulho que apresento em primeiríssima mão o jingle da minha campanha para presidente em 2010.

 

Idealizado por Alter Egonça, publicitário premiadíssimo em Canna, este jingle tem versões populares e eruditas, do jazz ao funk carioca. Com composição melódica e letra refinada por um excelente trabalho de métrica e rima, adapta-se facilmente a todos os estilos e gostos musicais. Estará inclusive na playlist das mais tocadas da rádio Jesusamerica, perdendo apenas para a versão remix de Vou que Vou para o Céu, do Padre Quebra Barraco.   

 

Vamos lá, todos juntos, cantando:



Escrito por Halina Silva às 03h07
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2010 - Halina Presidente

REFRÃO

Nossa estrela pisca ali com o povo

Nossa estrela ofusca toda a gente

Não ta no céu, ta ali na encosta do morro

Ali no Fusca vem Halina, presidente

O LA LA O LA LA O LA LA LA LA IO

 

Quando perguntam o que faz a tal da Halina

Parada ali na esquina da marginal

Ela logo diz: aprendendo com as menina

Se é pra fu... com o povo, vamo fu...  geral

 

REFRÃO 

E você pensa: mas que honestidade

Logo decide para ela vai votar

Quanta alegria, quanta felicidade

A candidata em que se pode confiar

 

REFRÃO 

Repete tudo 3x



Escrito por Halina Silva às 03h07
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Diálogos de Copa

 

(eu) - Paieee, o que é impedimento mesmo? (Essa é minha tradicional pergunta de abertura do primeiro jogo do Brasil na Copa.)

   

(pai) - É assim, filha. Na hora do jogo, quando o jogador chega com uma jogada perto da área do gol, o jogador para o qual o jogador vai passar a bola não pode ser o primeiro da fila de jogadores, tem que ter pelo menos um jogador adversário antes na linha do jogo, entendeu?

  

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) - Aaaaaan, entendi!

 

(eu - em pensamento) - Puts, não entendi nada, que vergonha. Mas deixa para lá. Se a partir de agora eu apenas repetir o que as outras pessoas da sala dizem, sempre com os músculos testo-frontais contraídos, ninguém vai perceber que não entendo nada de futebol.

 

(alguém) –  Ei? Carrinho no Manequinho Paraibano e o juiz nem deu falta, que absurdo!

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) – Palhaçada essa carrinho no Manequinho Paraibano hein?

 

(alguém) – Tiro de meta pro Brasil!

 

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) – É só mais um tiro de meta para o Brasil. Relaxem, pessoal!



Escrito por Halina Silva às 16h58
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Diálogos de Copa (parte 2)

(alguém) –  Esse Priotchsnifevich tá fazendo firula!

 

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) – Certeza, fazendo firula!

 

(alguém) –  Tem que fazer o esquema 4-4-2, assim com esse quadrado não funciona!

 

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) – Nãããão, tem que ser 4-4-2. Ah, foi isso que você falou? Desculpe, estava distraída com a jogada!

 

(alguém) –  Ih, cama-de-gato!

 

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) – Olha lá a cama-de-gato!

 

(todos - gritando) – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!

 

(alguém) –  Que linda folha-seca do Denilsinho Alagoano!

 

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) – Esse gol do Denilsinho Alagoano foi uma folha-seca, não é?

 

(alguém) –  Olha só a pedalada do Tiburcinho Goiano, que espetáculo!

 

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) – Pedaaaaaala Tiburcinho Goiano!

 

(eu - esquecendo-me completamente de contrair os músculos testo-frontais e posicionar os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar) –  Que burro esse Rivevaldinho Sergipano, tá na cara do gol e mesmo assim não chuta!

 

SILÊNCIO DESCONFORTAVEL 

 

(pai) –  Não é burro filha, é que ele está impedido. É aquilo que te expliquei, entendeu?

 

(eu - contraindo os músculos testo-frontais e posicionando os dedos indicador e polegar opositor sobre os lados respectivamente direito e esquerdo do maxilar, garantindo uma expressão de absoluto entendimento do que me foi explicado) –  Aaaaaan, entendi!

 

 

  



Escrito por Halina Silva às 16h58
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Numa absoluta crise de falta de idéias e de abstinência pós-feriado-hiper-calórico, nada como uma receitinha de doce para animar os ânimos. Mas prometo que assim que o nível de glicose do sangue baixar e os neurônios voltarem a funcionar normalmente coloco um texto novo aqui!  

PS: façam a receita que é boa mesmo.... com sorvete nhaaaaaaam :)

 

 

Petit Gateau

 

Ingredientes Petit Gateau:
250g chocolate 1/2 amargo
250g manteiga s/ sal
165g açúcar
5 ovos
5 gemas
100g farinha de trigo
5g aroma de baunilha

Preparo Petit Gateau:

Em uma batedeira, bater as gemas, os 5 ovos (passados em uma peneira) e
o açúcar até ficar como gemada (10-15 min).
Unir a farinha, o aroma de baunilha, o chocolate e a manteiga derretidos.
Assar em forma untada com margarina e trigo à 180º por 7-8 min.

Ingredientes Calda:
1 litro água
500g açúcar
400g chocolate 1/2 amargo picado
200g chocolate em pó (do Padre)
1/2 xícara de licor de chocolate.

Preparo Calda:

Unir tudo em uma panela e cozinhar por 45-60 min, até que diminua pela metade.



Escrito por Halina Silva às 12h25
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CHOQUE

Ela o reconhecia pelo cheiro. Quando ele entrava pela sala nos finais de tarde, sentia um arrepio percorrer seu corpo. Era como se o tempo voltasse. Ela recordava todos os momentos de carinho que vivera junto a ele. Mas ao mesmo tempo, vinha-lhe a mente a raiva que sentia da mulher desprezível que tomara seu lugar no coração e na cama de seu grande amor. Mas fazer o quê se ainda assim ela o amava intensamente? Apesar de tudo o que acontecera, sentia que pertencia a ele. Afinal, fora o primeiro homem a tocá-la, a dar-lhe carinho e atenção, a chamá-la de “my lady”.

Nos bons tempos era ela que o acordava. Mal levantavam e saíam juntos para um passeio. Era como se o tempo parasse. Podiam não trocar uma palavra sequer, mas entendiam-se plenamente por olhares. Depois da caminhada voltavam para casa. Ele tomava banho e saía para trabalhar. Ela esperava ansiosa por sua volta. No final da tarde, quando finalmente ouvia seus passos e reconhecia o seu cheiro, corria em sua direção. Jantavam e iam abraçados para o sofá. Ela ficava deitada no colo dele, deixando-o acariciar sua testa, pensando que nada poderia ser melhor do que aquilo. No momento em que ele se levantava e ia para o quarto deitar, ela ia atrás. Aconchegavam-se lado a lado e dormiam um sono profundo.

Viveram assim por muito tempo, até que um dia tudo mudou. Era final de tarde e ela o aguardava. Passaram-se várias horas de angústia e nada dele chegar. Ela ficou tão nervosa que destruiu um de seus sapatos. Acabou caindo no sono e acordou só de madrugada, quando finalmente reconheceu seu cheiro. Para sua desgraça, ele a ignorou. Passou reto por ela, sem pronunciar uma única palavra, e foi deitar. Ela não foi logo atrás como sempre fazia, esperou um bom tempo. Queria mostrar o quanto estava magoada, mas a raiva passou em instantes. Para sua infelicidade, era muito maior o seu amor.

No dia seguinte quando ela acordou, ele já não estava mais lá. A abandonara em casa, sem ao menos dar-lhe um satisfação. Deixara apenas um prato de café da manhã. Ingrato, como se pudesse comprá-la com comida, que decepção. Ela passou o dia se lamentando, vagando desolada pela casa gigante. Até que chegou a noite e novamente ele não estava lá. Mais horas de desespero passaram, mais um sapato fora destruído no auge do nervosismo e nada.

Quando finalmente ouviu o barulho da porta, ela quase enfartou. Ele estava com outra mulher, beijando-a e chamando-a de “my lady”, que traição. Como se ela não existisse, foram direto para a cama. Fizeram barulhos estranhos por horas até que finalmente o silêncio tomou conta da casa. Ainda perplexa, sem entender bem o que estava acontecendo, ela resolveu entrar no quarto e pedir satisfações. Para sua surpresa, a mulher não estava mais lá. Aliviada, ela imaginou ser toda aquela desgraça um sonho, fruto de sua imaginação fértil. Deitou-se rapidamente ao lado de seu amado. Estava quase dormindo quando ouviu os gritos da outra, que a empurrou da cama violentamente.

Ela não podia compreender porque de uma hora para outra passara a ser tratada como um bicho. Pobre cadelinha, nunca mais se recuperou do choque.     



Escrito por Halina Silva às 11h43
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Só uma segunda-feira qualquer

 

 

Hoje é uma típica segunda-feira. Acordei atrasada (9:10, depois de passar mais de 1 hora lutando com o botão “soneca” do celular), coloquei a primeira roupa que apareceu na minha frente e fui tomar café da manhã. A mesa estava toda arrumada: café passado, bolo, pães, presunto, queijo, requeijão, cereal, frutas, iogurte, que delícia. Já tinha passado requeijão hiper-calórico em quase metade de uma fatia de pão branco hiper-calórico e colocado sucrilhos de chocolate hiper-calórico numa tigela quando me dei conta de que não podia comer nada daquilo, era dia de começar regime. Larguei a faca do requeijão, coloquei os pães de volta na sexta e os sucrilhos de volta na caixa. Tomei apenas um café preto, sem leite, nem açúcar, nem adoçante (o sofrimento dignifica o homem), levantei da mesa e deixei o mau-humor pós-comedeira-compulsiva-no-fim-de-semana invadir meu corpo.

 

Regime é um assunto mais presente na minha vida do que muitos parentes próximos. Desde criança sei o que é dieta, o que são calorias, o que se deve comer e o que não se deve, a pirâmide de tipos de alimento, as diferenças entre carboidratos, gorduras e proteínas, meu índice de massa corporal, de massa magra, de massa gorda, de massa com molho quatro queijos, entre outros. Enquanto as crianças comiam hambúrguer e tomavam coca nos recreios, eu me deliciava com bolachas integrais e garrafinhas de suco de mamão com adoçante, nhaaaam. Meu presente no aniversário de 10 anos foi uma balança digital. Aos 11, consultas a endocrinologistas já faziam parte da minha rotina semanal, logo depois das aulas de natação e um pouco antes das aulas de ginástica localizada para crianças fora do peso. Parece exagero (e é em partes), mas sempre tive uma relação de amor e ódio com a comida. 

 

Como boa comedora compulsiva, sou refém principalmente dos doces: bolacha recheada, chocolate, bolo, brigadeiro, dois amores, sorvete, bala, torta de limão, nutela, io-io cream, paçoca, dadinho, mousse de maracujá, milkshake de ovomaltine mal batido, brownie, tiramissu, pastinha de leite ninho com açúcar, sorvete, chocolate, nutela, torta de limão, bolacha recheada (será que estou me repetindo?).

 

Abre parênteses: Por que todas as bolachas recheadas tipo leve 3 pague 2 vêm coladas errado? Meu Deus, qual é a dificuldade de colar a parte certa da bolacha no recheio? E por que minha mãe insiste em comprá-las toda vez que peço para me trazer um pacote de Bono ou Trakinas? Mãe, não é a mesma coisa, você não entendeee! Fecha parênteses.

 



Escrito por Halina Silva às 14h50
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Só uma segunda-feira qualquer (parte 2)

Ai, bolachas recheadas, malditas, são um verdadeiro vício. Por mais que tente vencê-las, sempre acabam me dominando. Acho que nunca consegui comer duas ou três, como as pessoas normais. Devoro até que não sobre mais nada, nem farelo pra contar história. E depois do descontrole fico desesperada lendo as tabelas de calorias: 80 por bolacha, 1200 por pacote, 3 pacotes, 3600 calorias, 150 horas correndo na esteira e tendinite nos dois joelhos para queimar, socorro.

 

Já fiz tantas dietas e fui a tantos nutricionistas que acho que provavelmente entenda mais sobre o assunto do que os especialistas. Mesmo assim sempre que posso marco novas consultas, na esperança de que a vergonha de alguém medindo minhas “pochetezinhas” (quem já ouviu aquela propaganda ridícula de uma certa academia de Curitiba sabe do que estou falando) seja um incentivo para emagrecer. Confesso até que já tentei me tornar bulímica ou anoréxica, mas definitivamente não tive talento para distúrbios alimentares outros que a compulsão.

 

E já que estou fazendo confissões, admito ser compulsiva também por colecionar regimes, cada qual suas estratégias e seus nomes bizarros: das Cotas, dos Pontos, de South Beach, de Beverly Hills, dos Parlamentares (nunca entendi a lógica de comer sorvete de noite, mas adoooro), do Dr. Atkins (cuidado com o colesterol), dos Grãos, dos Nutricionistas da USP (se eles são nutricionistas eu sou neurocirurgiã), Da J-LO (vem com DVD), da Paris Hilton (só funciona se auxiliado por anfetaminas), do Pelé, do Emerson Fitipalti, da Boa Forma, do Abacaxi (enche a boca de aftas), da Herbalife. Esse último vale até explicar melhor. É aquele do adesivo “quer emagrecer, pergunte-me como”, sabem? Então, liguei para o número, marquei um encontro por telefone, conversei com uma senhora roliça que tentou me vender uns kits, perguntei como, mas resposta que é bom, nada. Não aconselho.

 

Me desculpem, mas tenho que interromper o post por aqui. Estou atrasada para a fisioterapia, para melhorar a tendinite no meu joelho, para poder correr, para poder gastar calorias, para poder comer doces, para poder reclamar que estou gorda, para poder começar outra dieta segunda-feira que vem (Ciclo vicioso? Imaginaaa). É isso então. Boa segunda-feira de mau-humor e de regime para todos e até semana que vem.  



Escrito por Halina Silva às 14h49
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Tem que vaiar mesmo

O fenômeno "O Código da Vinci" é um dos melhores exemplos de como é possível criar uma aura mágica e um estrondo enorme em torno de um produto banal. Assim como outras milhares de pessoas que leram o livro, eu esperava ansiosa pela adaptação da história para os telas. Acompanhei as polêmicas causadas no Brasil e no mundo, li resenhas, artigos, críticas, peguei ingressos com antecedência para garantir meu lugar no final de semana de estréia, enfim, agi exatamente como o planejado na excelente campanha publicitária realizada pela Sony. Cheguei ao cinema 40 minutos antes da sessão, encarei 30 minutos numa fila que cruzava todo o andar do shopping, garanti que nenhum espertinho furasse na minha frente, estapeei-me com centenas para garantir um bom lugar e nem cheguei a comprar meu super combo triplo, com medo de “ir pra Videira” e literalmente “perder a cadeira”. Durante os trailers senti meu coração bater mais forte, ansiosa, como se estivesse para presenciar algo que fosse alterar minha forma de encarar o mundo. Mas bastou começar o filme de Hon Howard, com a chatíssima trilha sonora de Hans Zimmer (ainda estou com o infame ta-na-na-na-na-ta-ta grudado na minha mente), para eu perceber o quanto fui boba, crédula e alienada, como caí direitinho na estratégia da produtora. Arghhhh, estão vendo porque odeio publicidade? Odeio me sentir idiota!   

 

Não posso ser injusta. A fotografia e a direção de arte são muito boas, assim como os enquadramentos das cenas e a movimentação das câmeras. Se fosse o caso de um documentário sobre turismo na Europa, história da arte renascentista ou teorias conspiratórias sobre a igreja católica, diria ter sido muito bem feito. Mas como filme de ação, como sensação das telas, como um bom “blockbuster”, definitivamente não serve. Ensina direitinho como não adaptar um roteiro, não fazer casting (seleção de atores), não sonorizar, não abordar um assunto polêmico, não envolver o espectador na história, não divertir, não emocionar, não entreter e, principalmente, como fazer cento e poucos minutos de filme parecerem dois mil e alguns anos. 



Escrito por Halina Silva às 17h23
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